quarta-feira, 16 de maio de 2007

Uma fábula sobre arquitetura e idéias

Imagine uma oficina:

Nela existem várias ferramentas e máquinas.
Nela existem conceitos e idéias.
Nela existe um senhor que defende essa oficina com muito afinco,
Pois somente ele sabe a finalidade daquela oficina existir diante do universo.

Existe uma rua muito movimentada que tira constantemente a atenção daquele senhor,
Ele não se muda, pois ali aprendeu a amar e tem medo de sentir-se só, diante do universo,
Existia uma parcela de conveniência também pois na unanimidade a falta de informação e entusiasmo é constante,

Em uma noite de muito romantismo e esperança ele olha para o céu e imagina a oficina dos sonhos dele e logo uma estrela cadente passa como um sinal pois pensava nela antes de cair,

Ali era o seu ligar, pensou.

Em um belo dia a oficina deixou de existir mas as máquinas, as idéias, o conceito ainda continuavam ali, de aguma forma,

Era como um sonho, a oficina existia dentro daquele senhor,
Mas ele ainda tinha medo e se perguntava como faria para adquirir um novo local com aquele que tinha tanto espaço para tantos sonhos, planos e idéias como ele,

O tempo passou e o senhor percebeu que a oficina havia crescido haviam mais idéias, planos e sonhos do que antes; mesmo não existindo mais aquele local, aquela rua.

Era estranho pois ainda se conseguia trabalhar e sonhar e por incrível que pareça as pessoas começavam a notar o trabalho daquele senhor que estava há todo tempo ali sem ser percebido e so havia perdido tempo pensando na oficina e na rua,

O senhor entendeu então que para arquitetar idéias era preciso retirar todos os pensamentos e sentimentos amargos, duvidosos e ambiciosos pois sem a oficina o que restou foi apenas as máquinas, ferramentas e idéias a rua já deixará de existir há tempos e o medo com ela, a preocupação de manter aquele local também se foi,

O Senhor teve então condições para iniciar um trabalho de construção e pela primeira vez sentia que estava próximo de cumprir sua missão,

Chamou um beija-flor que passava por ali para espalhar a notícia de que sua nova invenção estaria pronta em breve e ajudaria muitas pessoas, Um rosa escutou um desses chamados do beija flor e correu para ajudálo nas tarefas do dia-a-dia,

O Senhor não acreditava nos espinhos dessa rosa era possível se defender dos piores pensamentos mantendo tudo no vazio da grande construção e começou a praticar os voos livres de um beija-flor com a mesma serenidade de uma rosa,

O Beija-flor cumpriu a sua missão e a rosa também a oficina pobrezinha não havia espaço para ela e o senhor entendeu então que é preciso viver o presente de suas idéias consigo mesmo podendo assim voar e pensar em aprender ao invéz de temer por não saber que existem espinhos por ai,

Atriu no mesmo instante tudo o que quiz e como não tinha mais nada o que temer só a desejar pediu o bem e o praticou.

Diante do universo o senhor agradeceu pelo aprendizado entendendo que o grande desafio dessa fábula era entender que perder tudo para ganhar nada é um belo atalho para o esvaziamento, mas que sem saber voar e se defender das incertezas os excessos permaneceriam presentes,

Agora o tudo é o nada sem oficinas de dúvidas o grande aprendizado foi ter humildade para seguir o seu impulso com todo vazio do universo possível para impulsionar aquela oficina que não precisa existir para existir.

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